Diversidade e inovação caminham de mãos dadas*

A diversidade é um fator crucial para impulsionar a inovação nas empresas. A combinação de diferentes perspectivas, experiências e origens culturais em um ambiente de trabalho pode levar a soluções mais criativas e eficazes. A falta de diversidade, por outro lado, pode limitar o potencial de inovação e impedir que as empresas alcancem seu pleno potencial.

Na era da longevidade, a reformulação das políticas de emprego e práticas de recrutamento apresentam-se como uma estratégia essencial para incorporar a crescente população de trabalhadores acima dos 50 anos no mercado de trabalho. O aumento da expectativa de vida e a melhoria nas condições de saúde transformam profundamente o conceito de carreira, demandando políticas que valorizem a experiência acumulada e promovam o desenvolvimento contínuo desses profissionais.

Dados recentes da Robert Half, em parceria com a startup Labora, apontam que aproximadamente 70% das empresas brasileiras contrataram poucos ou nenhum profissional com mais de 50 anos nos últimos dois anos.

Embora 48% das organizações afirmem ter programas voltados para a diversidade geracional, a realidade nas contratações é bem diferente: profissionais com mais de 50 anos representam apenas 5% das novas vagas, com 20% das empresas ainda não adotando nenhuma estratégia para atrair talentos dessa faixa etária. Ou seja, a inclusão de profissionais seniores está em evidência, porém, a contratação desses talentos ainda enfrenta grandes desafios.

Reconhecer o potencial que a geração +50 pode agregar aos negócios é um caminho estratégico para a inovação e o crescimento sustentável. Sim, porque esses profissionais trazem consigo uma bagagem valiosa. Executivos com anos de experiência sabem como implementar e ajustar a visão estratégica de uma empresa, melhorar a eficiência operacional e até mesmo gerenciar crises com mais calma e assertividade.

Quando se pensa em inovação, normalmente o que vem à mente são investimentos em tecnologia, novos processos e talentos ligados às tendências do mercado. Mas algumas empresas estão percebendo que, além disso tudo, investir em diversidade e inclusão em seus quadros lhes permite inovar ainda mais e oferecer produtos e serviços mais alinhados com seus clientes.

Vemos hoje em todo mundo um crescimento e uma valorização de princípios e práticas sustentáveis. Em outras palavras, estamos falando de ESG (sigla em inglês que significa Ambiental, Social e Governança). Acredito que uma maior valorização do “S” seja fundamental para estabelecermos uma nova base de um capitalismo consciente que dê espaço, voz, reconhecimento e abra novas perspectivas de crescimento social e econômico para todas as pessoas independentemente da raça, sexo, crença religiosa e política, classe social etc.

A integração de trabalhadores mais experientes não só é necessária diante do envelhecimento populacional como também traz benefícios significativos para as empresas e a sociedade como um todo, promovendo a harmonia intergeracional e reduzindo o absenteísmo. Por isso, é preciso desenvolver e implementar programas específicos de capacitação e desenvolvimento profissional para essa faixa etária. Necessitamos de uma mudança de paradigma. Precisamos criar um ambiente de aprendizado contínuo para um envelhecimento ativo, com mais saúde, trocas de conhecimentos, maior participação social e segurança para os trabalhadores mais velhos.

 

*Daniel Marinho é Relações Públicas e um dos empreendedores do Movimento bstory.