{"id":1932,"date":"2026-07-03T11:44:07","date_gmt":"2026-07-03T14:44:07","guid":{"rendered":"https:\/\/bstory.com.br\/home\/?p=1932"},"modified":"2026-07-03T11:44:52","modified_gmt":"2026-07-03T14:44:52","slug":"a-dignidade-humana-pede-um-lugar-ao-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bstory.com.br\/home\/a-dignidade-humana-pede-um-lugar-ao-sol\/","title":{"rendered":"A dignidade humana pede um lugar ao sol*"},"content":{"rendered":"<p>Como escreveu e cantou o poeta Cazuza, \u201co tempo n\u00e3o p\u00e1ra\u201d. A vida \u00e9 c\u00edclica. Nascemos e ganhamos uma rede de amparo para o conhecimento e para conhecer o mundo seja na fam\u00edlia, na escola, na igreja, em clubes e entre amigos.<\/p>\n<p>Batalhamos muito para entrar em uma universidade e investimos tempo e dinheiro em nossa forma\u00e7\u00e3o, seja ela na pr\u00f3pria universidade ou em l\u00ednguas, cursos extracurriculares, participa\u00e7\u00e3o em eventos etc. Depois vamos lutar por um emprego para atingir nossos sonhos e objetivos. E essa batalha come\u00e7a antes mesmo de formarmos na universidade, ao fazermos est\u00e1gios profissionais. Neste momento, temos o primeiro contato com uma mentoria que pode ser formal ou informal.<\/p>\n<p>Muitas pessoas investem ainda mais tempo e dinheiro em uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, mestrado ou doutorado. Afinal de contas, o mercado sempre espera e demanda mais de todos n\u00f3s. E, de repente, quando temos uma trajet\u00f3ria rica em conhecimentos, conex\u00f5es profissionais, compet\u00eancias diversas que o universo corporativo privilegia, jogo de cintura e muito tempo dedicado ao trabalho, estamos com 50 anos ou mais. \u00c9 exatamente neste momento que o mercado nos pune com m\u00e3o de ferro.<\/p>\n<p>Aqui come\u00e7a a ser praticado o etarismo, que \u00e9 um tipo de preconceito que acontece pela idade, parecido com racismo ou sexismo, mas direcionado a pessoas de certas faixas et\u00e1rias, geralmente as mais velhas. No mercado de trabalho, isso acontece quando acham que algu\u00e9m \u00e9 menos capaz ou competente por causa da idade mais elevada. No Brasil, este preconceito \u00e9 silencioso, voraz e est\u00e1 espalhado em todas as classes sociais e regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Nada contra a troca de pessoas ou a contrata\u00e7\u00e3o dos mais jovens. Diversidade e oxigena\u00e7\u00e3o de equipes \u00e9 fundamental para termos sucesso, inova\u00e7\u00e3o, bons resultados corporativos etc. Quando este movimento n\u00e3o \u00e9 bem-feito, sem o devido respeito e cuidado com o ser humano, muita gente experiente acaba sendo subaproveitada no mercado. Essa discrimina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m mexe com a autoestima, a sa\u00fade mental e a qualidade de vida de quem passa por isso, podendo levar ao isolamento e at\u00e9 causar depress\u00e3o.<\/p>\n<p>No mercado de trabalho, o etarismo aparece quando os empregadores preferem contratar gente mais jovem, achando que os mais velhos s\u00e3o menos flex\u00edveis, n\u00e3o entendem tanto de tecnologia ou custam mais caro por causa dos sal\u00e1rios mais altos. Estudo da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) aponta que, em 2030, o Brasil ter\u00e1 a quinta popula\u00e7\u00e3o mais idosa do mundo. Atualmente, h\u00e1 54 milh\u00f5es de brasileiros na faixa et\u00e1ria dos 50 anos, quase um quarto da popula\u00e7\u00e3o. Segundo estudo da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), em 2040, 57% da for\u00e7a de trabalho do Pa\u00eds ser\u00e1 composta por pessoas acima dos 45 anos. O IBGE prev\u00ea que, em duas d\u00e9cadas, as pessoas com mais de 60 anos ser\u00e3o maioria no Brasil.<\/p>\n<p>E para quem gosta de impacto financeiro, aqui vai um dado chocante. No Brasil, o consumo dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o chegou a R$ 1,8 trilh\u00e3o em 2024, e poder\u00e1 aumentar at\u00e9 para R$ 3,8 trilh\u00f5es at\u00e9 2044, representando 35% do consumo total no pa\u00eds. Esse \u00e9 um dos resultados do estudo recente \u201cMercado prateado: consumo dos brasileiros 50+ &amp; proje\u00e7\u00f5es\u201d, da Data8.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental combater o etarismo, estere\u00f3tipos e estigmas que reforcem a ideia de que o envelhecimento \u00e9 um processo din\u00e2mico, natural e heterog\u00eaneo. Portanto, temos o dever de casa de sensibilizar as gera\u00e7\u00f5es mais novas e diversos atores sociais para a prepara\u00e7\u00e3o de uma velhice construtiva e promover a aproxima\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es, por meio de rela\u00e7\u00f5es genu\u00ednas e novos pontos de encontro.<\/p>\n<p>Chega a ser um absurdo e um contrassenso n\u00e3o refletirmos sobre solu\u00e7\u00f5es inovadoras e criativas como alternativa aos modelos atuais de apoio a pessoas mais velhas. A vida ou a capacidade profissional de uma pessoa n\u00e3o pode ter prazo de validade. \u00c9 necess\u00e1rio sensibilizar e conscientizar todas as gera\u00e7\u00f5es sobre a import\u00e2ncia do tempo e da passagem do tempo. A participa\u00e7\u00e3o e uni\u00e3o de pessoas de todas as idades \u00e9 um pressuposto fundamental na constru\u00e7\u00e3o ativa de uma sociedade mais pr\u00f3spera, igualit\u00e1ria e coesa.<\/p>\n<p>Por isto, lan\u00e7amos O Movimento &#8220;bstory &#8211; A experi\u00eancia que transforma&#8221;. O empreendimento nasce com o objetivo de dar protagonismo e apoio \u00e0 gera\u00e7\u00e3o 50+, bem como reconhecer, valorizar e compartilhar experi\u00eancias, hist\u00f3rias e legados de pessoas e institui\u00e7\u00f5es de setores relevantes para a sociedade, tendo como foco e objetivo o bom combate ao etarismo. A dignidade humana pede um lugar ao sol.<\/p>\n<p><b>*Daniel Marinho \u00e9 Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e s\u00f3cio fundador do Movimento bstory (<\/b><a href=\"http:\/\/www.bstory.com.br\/\"><b>www.bstory.com.br<\/b><\/a><b>).<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como escreveu e cantou o poeta Cazuza, \u201co tempo n\u00e3o p\u00e1ra\u201d. A vida \u00e9 c\u00edclica. 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