Paulo José Marinho
A diversidade é um fator crucial para impulsionar a inovação nas empresas. A combinação de diferentes perspectivas, experiências e origens culturais em um ambiente de trabalho pode levar a soluções mais criativas e eficazes. A falta de diversidade, por outro lado, pode limitar o potencial de inovação e impedir que as empresas alcancem seu pleno potencial.
Na era da longevidade, a reformulação das políticas de emprego e práticas de recrutamento apresentam-se como uma estratégia essencial para incorporar a crescente população de pessoas acima dos 50 anos no mercado de trabalho. O aumento da expectativa de vida e a melhoria nas condições de saúde transformam profundamente o conceito de carreira e demandam políticas que valorizem a experiência acumulada e promovam o desenvolvimento contínuo desses profissionais.
Dados recentes da consultoria Robert Half, em parceria com a startup Labora, apontam que aproximadamente 70% das empresas brasileiras contrataram poucos ou nenhum profissional com mais de 50 anos nos últimos dois anos.
Embora 48% das organizações afirmem ter programas voltados para a diversidade geracional, a realidade nas contratações é bem diferente: profissionais com mais de 50 anos representam apenas 5% das novas vagas. Lamentavelmente, 20% das empresas ainda não têm estratégias para atrair talentos dessa faixa etária. Ou seja, a inclusão de profissionais seniores está em evidência, porém, a contratação desses talentos ainda enfrenta grandes desafios.
Reconhecer o potencial que a geração +50 pode agregar aos negócios é um caminho estratégico para a inovação e o crescimento sustentável. Sim, porque são pessoas que têm uma bagagem valiosa. Executivos com anos de experiência podem contribuir muito com a melhoria e a amplitude da visão estratégica de uma empresa. Podem gerar muito valor à eficiência operacional e à gestão de riscos, crises e oportunidades reputacionais.
Quando se pensa em inovação, normalmente o que vem à mente são investimentos em tecnologia, novos processos e talentos ligados às tendências do mercado. Mas algumas empresas estão percebendo que, além disso tudo, investir em diversidade e inclusão em seus quadros lhes permite inovar ainda mais e oferecer produtos e serviços mais alinhados com seus clientes.
Vemos hoje em todo mundo um crescimento e uma valorização de princípios e práticas sustentáveis. Em outras palavras, estamos falando de ESG (sigla em inglês que significa Ambiental, Social e Governança). Acredito que uma maior valorização do “S” seja fundamental para estabelecermos uma nova base de um capitalismo consciente que dê mais espaço, voz, reconhecimento e abra novas perspectivas de crescimento social e econômico para todas as pessoas, independentemente de raça, gênero, crença religiosa e política, classe social etc.
A integração de trabalhadores mais experientes não só é necessária diante do envelhecimento populacional. Traz também benefícios significativos para as empresas e a sociedade como um todo, promovendo a harmonia intergeracional e reduzindo o absenteísmo. Por isso, é preciso desenvolver e implementar programas específicos de capacitação e desenvolvimento profissional para essa faixa etária. Necessitamos de uma mudança de paradigma. Precisamos criar um ambiente de aprendizado contínuo para um envelhecimento ativo, com mais saúde, trocas e compartilhamentos de conhecimentos, maior participação social e segurança para os trabalhadores mais velhos.
Paulo José Marinho é jornalista e sócio fundador do Movimento bstory (www.bstory.com.br).

