A geração prateada e seus impactos globais*

À medida que a população global envelhece, as economias ao redor do mundo passam a enfrentar mudanças demográficas significativas com implicações profundas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) lançou um estudo em abril deste ano, o World Economic Outlook, e no Capítulo 2 explora a ascensão da “economia prateada”, com foco na extensão do envelhecimento saudável e seu impacto nos mercados de trabalho, nas implicações econômicas mais amplas das mudanças demográficas e no papel de políticas direcionadas na mitigação dos efeitos negativos do envelhecimento.

Atualmente, com maior tempo de vida e qualidade de vida, estamos vivendo mais, redescobrindo novos prazeres e horizontes após os 50 anos. Como diz um ditado popular, a vida começa aos 40…Ou seria aos 50?

Embora o envelhecimento populacional apresente desafios como crescimento mais lento e maiores pressões fiscais, as tendências para um envelhecimento mais saudável oferecem um lado positivo, aumentando a participação na força de trabalho, prolongando a vida útil e melhorando a produtividade. O estudo destaca a importância de políticas que apoiem o envelhecimento saudável, aumentem a participação da população mais velha na força de trabalho e eliminem a disparidade de gênero na força de trabalho. Ao explorar essas estratégias, os países podem aproveitar o potencial da economia prateada para estimular o crescimento e reabastecer as reservas fiscais em um contexto de crise demográfica.

Globalmente, a expectativa de vida aumentou cerca de 4 anos nas últimas duas décadas. Atualmente, o mundo possui mais de 2 bilhões de pessoas com 50 anos ou mais, representando 25% da população global. E essa tendência só tende a crescer, com previsões de que esse número chegue a 2,5 bilhões em 2050, principalmente nos países em desenvolvimento. No Brasil, a situação é similar, com aproximadamente 61 milhões de pessoas (28% da população) nessa faixa etária, um número que deve crescer para 35% até 2050.

Globalmente, o aproveitamento do potencial produtivo das pessoas com 50+ é tímido. Estima-se que menos de 50% do potencial produtivo desta população esteja sendo plenamente utilizado, devido à falta de políticas proativas que incentivem a inovação, o empreendedorismo e a participação ativa em diversas esferas econômicas e sociais.

No Brasil, a situação é semelhante à média global. Apesar de algumas iniciativas locais, a maioria das políticas ainda é reativa com destaque para cuidados de saúde. Infelizmente, muitos indivíduos 50+ enfrentam barreiras para reintegração no mercado de trabalho ou para iniciar novos projetos devido à falta de apoio institucional.

Faltam estratégias que realmente explorem algumas qualidades dessa população, como criatividade, conhecimento acumulado, capacidade de mentoria e habilidades empreendedoras. As pessoas 50+ podem compartilhar suas habilidades e conhecimentos de forma colaborativa, criando redes de apoio mútuo.

Como somos seres pensantes e inteligentes, todo problema apresenta um leque de oportunidades. Para transformar o potencial dos 50+ em um motor de inovação e melhoria do capital humano e social podemos criar e implementar programas de mentoria e incubadoras; desenvolver linhas de crédito específicas e incentivos fiscais para estimular negócios criados por pessoas 50+; oferecer cursos gratuitos ou subsidiados em áreas como tecnologia digital, marketing online e inovação, garantindo que essa população se mantenha atualizada e competitiva; desenvolver centros comunitários onde pessoas de diferentes idades possam interagir, compartilhando conhecimentos e experiências; implementar programas que incentivem o envelhecimento ativo através de atividades físicas, workshops de saúde mental, e campanhas de prevenção de doenças crônicas; criar plataformas digitais que permitam o compartilhamento de habilidades e conhecimentos, facilitando a colaboração entre diferentes grupos etários; estimular a participação de pessoas 50+ em projetos de economia criativa, como arte, cultura e design, aproveitando sua experiência e criatividade para revitalizar esses setores; realizar campanhas para mudar a percepção da sociedade sobre o envelhecimento; criar conselhos específicos que incluam membros da população 50+, permitindo que suas vozes sejam ouvidas nas decisões políticas e sociais municipais, estaduais e nacionais.

Minha mente positiva acredita que a experiência, o conhecimento acumulado e o desejo de continuar contribuindo ativamente são ativos poderosos dessa população que, se devidamente apoiados, podem transformar economias e comunidades. Somente com essa mudança de mentalidade e estratégia poderemos realmente aproveitar todo o potencial desse grupo, promovendo uma sociedade mais inclusiva, humana, ética, dinâmica e próspera.

 

*Daniel Marinho é Relações Públicas e um dos empreendedores do Movimento bstory.