Essa frase cunhada por Caetano Veloso carrega uma sabedoria e visão necessárias para termos mais equilíbrio, paz, harmonia e justiça social em todo mundo.
O mundo anda um pouco estranho e não é muito difícil perceber que a humanidade anda perdendo a capacidade de dialogar, de respeitar o outro, respeitar e aceitar o que é diferente do que somos, de respeitar crenças distintas da nossa e de ter um convívio pacífico entre os povos.
Um bom exemplo desse cenário é o pouco valor que a diversidade possui no mundo. Se houvesse uma visão mais positiva e harmônica sobre a diversidade não estaríamos enfrentando tantos problemas sociais, políticos e religiosos aqui pela terra. Vejamos o seguinte. É fato que a população global está envelhecendo. À medida que as pessoas vivem mais, elas trabalham mais, por escolha ou necessidade. Isso está criando desafios tanto para trabalhadores quanto para empregadores, à medida que buscamos compreender coletivamente as ferramentas, práticas, políticas e mudanças culturais que serão necessárias para garantir que essa parcela essencial da população com mais de 50 anos possa não apenas sobreviver, mas também prosperar.
Talvez a sociedade ainda tenha uma certa dificuldade ou visão estreita em limitar a capacidade humana. Por que aos 50 ou 60 anos ou mais uma pessoa não pode ter o desejo de estudar algo novo, de fazer algo que nunca fez em toda carreira ou de fazer algo que tenha um propósito maior? Quanto mais experiente ficamos, mais conseguimos ampliar o campo de visão e temos uma coragem adicional em fazer o que queremos realmente fazer, já que o relógio corre contra o nosso tempo.
Uma pesquisa realizada pela Innovation Foundation, uma empresa do Grupo Adecco, constata que o potencial custo extra e o risco que trabalhadores maduros podem representar para os empregadores são reais. Ironicamente, de acordo com a pesquisa, a maioria dos empregadores afirma que trabalhadores mais velhos têm um desempenho tão bom quanto ou melhor do que seus colegas mais jovens. Então, por que a relutância em contratar ou reter trabalhadores mais velhos? Processos de contratação, formas de trabalho ou a atitude de um determinado gerente podem excluir trabalhadores mais velhos antes que eles possam demonstrar seu valor. Além disso, os indivíduos frequentemente se subestimam ao lidar com questões de confiança, identidade e insegurança que podem acompanhar a perda do emprego. Ser capaz de reformular habilidades transferíveis e criar uma nova narrativa de empregabilidade é essencial.
A tecnologia está em tudo hoje em dia e seu uso tende a crescer a cada dia. Há o debate mundial do impacto que o alto uso da tecnologia pode causar em perdas de empregos. Precisamos de políticas públicas e corporativas de capacitação das pessoas seja para o uso da tecnologia ou em adquirir novos conhecimentos e aprendizados que abrirão portas para novas atividades profissionais.
Por outro lado, não podemos limitar a capacidade do ser humano em aprender novas tecnologias ou em mudar suas carreiras a qualquer momento. Precisamos abordar esses problemas agora, consertando os canos furados que estão perdendo pessoas capazes, dispostas e aptas a trabalhar. Esse é um problema sistêmico que exige uma abordagem multissetorial: governo, empresas, sociedade civil, academia e os próprios trabalhadores maduros. Ao impulsionar a inovação em áreas negligenciadas e projetar soluções com e para trabalhadores maduros, podemos construir uma força de trabalho mais inclusiva que não apenas se adapte à economia da longevidade, mas que realmente prospere.
Precisamos valorizar e acreditar na capacidade do ser humano em inovar e encontrar soluções para os desafios futuros que a sociedade enfrenta e enfrentará. Se a civilização chegou até aqui é porque as gerações passadas tiveram a coragem de encarar os problemas de frente e fizeram as ações que geraram crescimento econômico e social.
Em muitos países, as pessoas estão vivendo mais tempo e são mais saudáveis do que nunca. Embora isso seja uma boa notícia para os indivíduos, representa um desafio para as sociedades, que precisam atender ao crescente número de aposentados, com o maior ônus financeiro recaindo sobre as gerações mais jovens. Oferecer às pessoas melhores opções e incentivos para continuar trabalhando em idades mais avançadas é crucial para responder aos desafios do rápido envelhecimento populacional.
Não podemos nunca deixar de acreditar na poesia e filosofia de Caetano Veloso. Talvez aí esteja a beleza e arte de viver: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.
*Daniel Marinho é Relações Públicas e sócio fundador do Movimento bstory

